
* Acima, a foto do antigo Elevador Lacerda
Aqui inicio o primeiro texto do blog diário de uma cidade, onde estarei expondo para o mundo a realidade nua e crua de um dos piores lugares para se viver no Ocidente. A história de uma cidade marcada pela resistência de seu povo e sua estrutura muito mal urbanizada, onde se encontra doente e hospitalizada pela corrupção de seus políticos, que fazem das suas terras um quintal apenas para colher, sem nada plantar.
Uma cidade, um estado, onde um povo miserável vive a muito custo, pelas ruas sem dinheiro, passando fome, sem coisas simples para garantir suas necessidades básicas do dia-a-dia.
Agora um pouco da história da cidade.
A história do Brasil teve início na Bahia, mas precisamente em Porto Seguro.
Salvador foi a primeira capital do país até o ano de 1763. Chamada na época de sua fundação por “São Salvador da Bahia de Todos os Santos”, a cidade passou a ser descoberta pelos colonizadores no ano de 1510, quando um navio francês naufragou em terras baianas.
Em 1501, os portugueses instalaram seu padrão de posse no dia de Todos os Santos e batizaram, com esse nome, a grande baía em volta.
Em torno de 1510, Caramuru, sobrevivente de um naufrágio, uniu-se aos índios em um povoado que viria a ser um porto estratégico para os navios de passagem, franceses e portugueses.
Em 1534, a capitania da Bahia de Todos os Santos foi doada a Pereira Coutinho, que se estabeleceu em um povoado que incluía a Ponta do Padrão, atual Barra.
Em 1548, após a morte de Pereira Coutinho, Dom João III, rei de Portugal, nomeou Thomé de Souza Governador do Brasil e o incumbiu colonização efetiva da América Lusitana. Thomé de Souza desembarcou no Porto da Barra, em 29 de março de 1549, e construiu a Cidade do Salvador, de acordo com o projeto de Luís Dias, para ser a Cabeça do Brasil.
Nas décadas seguintes, Salvador tornou-se uma das principais cidades da América, recebeu várias ordens católicas que fundaram suas igrejas e a primeira catedral do Brasil. Em 1624, foi invadida pelos holandeses e reconquistada no ano seguinte.
No século 18, Salvador já contava com uma Escola de Engenharia, que funcionava no Forte de São Pedro, e uma universidade. Sim, os Estudos Gerais do Colégio dos Jesuítas foram meritoriamente a primeira universidade do Brasil. A Escola de Engenharia formou um dos primeiros grandes engenheiros brasileiros: José Antônio Caldas (1725-1782).
Em 1763, a capital do Estado do Brasil foi transferida para o Rio de Janeiro. Salvador continuou a ser a maior cidade da América Portuguesa até o início do século 19, quando o Príncipe Regente Dom João estabeleceu na cidade a sede da Corte Portuguesa, por 35 dias, em 1808. Anos depois, o Recôncavo Baiano seria o principal palco da Guerra da Independência do Brasil.
Até boa parte do século 19, Salvador continuou sua pujante evolução cultural e econômica. Nesse século, a Bahia era um celeiro de intelectuais e foi pioneira no Brasil em várias áreas importantes. Inaugurou a primeira grande casa de espetáculo do País, o Theatro São João, a primeira Faculdade para profissionais liberais, a Faculdade de Medicina da Bahia, a primeira grande Biblioteca Pública, entre outras importantes instituições. A Cidade ainda abrigava um dos maiores portos da América e um poderoso comércio.
O século 19 assistiu às muitas contribuições dos empreendedores baianos. Os engenheiros baianos foram de grande importância à construção do Brasil, a começar porTheodoro Sampaio e os irmãos Rebouças, que se destacaram na construção de estradas, ferrovias, portos e obras de saneamento em todo o Brasil. Os irmãos Lacerda construíram o maior elevador público do mundo na época.
No início do século 19, Salvador deixou de ser a maior e a mais rica cidade do Brasil, ultrapassada pela capital, o Rio de Janeiro. No final do século, a Cidade iniciou sua decadência, sendo ultrapassada por São Paulo e, no início do século 20, também ultrapassada por Recife.
Em 1912, Salvador testemunhou seus dias mais humilhantes. A Cidade foi covardemente bombardeada a mando do Presidente da República, o gaúcho Hermes da Fonseca. O número de vítimas é incerto. Séculos de história guardados na Biblioteca Pública foram incendiados.
De 1912 até os anos '30, Salvador sofreu uma reconstrução destrutiva, com a demolição de inestimáveis patrimônios históricos para abertura de grandes avenidas e a passagem de bondes. Até por volta de 1940, a cidade ainda lembrava sua antiga beleza e pujança.
Os anos seguintes foram ruins para a Bahia. A reconstrução iniciada nas primeiras décadas do século 20 esmaeceu-se.
Em 1587 a cidade de Salvador foi atacada por piratas ingleses, sem sucesso. Em 1612 foi a
vez dos corsários franceses tentarem a invasão, também sem sucesso.
Em 22 de março de 1625 chegou a região uma esquadra portuguesa, composta por 52 navios de guerra, entre outras embarcações, trazendo um exército de mais de 12 mil homens. Em 30 de abril do mesmo ano os holandeses concordam em desocupar a região. Os holandeses voltaram a ameaçar a região por diversas vezes: em 1640, 1647 e 1654.
A Bahia também foi cenário de outras disputas, como a Conjuração Baiana, ou Revolta dos Alfaiates (que propôs a formação da Republica Bahiense, em 1798), a Revolta dos Malês (uma revolta de escravos africanos islâmicos, em 1834), a Guerra de Canudos (confronto entre o exército republicano e os sertanejos comandados por Antonio Conselheiro, em 1897-1897).
Atualmente, a Bahia é o sexto estado mais rico do Brasil. Sua cultura (música, ritmos, culinária, etc.) carrega muito de sua história.
Uma reestruturação urbanística, começou nos anos '70. A velha capital baiana vem se reestruturando, com novo fôlego, estendendo-se para longe do Centro Histórico, que foi restaurado. Hoje, volta a ser a terceira maior do Brasil e seumomentum continua. A cidade é um canteiro de obras. Contribui o fato de que duas das maiores construtoras do País são baianas: a Odebrecht e a OAS.A Cidade, construída em dois andares, é historicamente uma das mais importantes da América. A evolução de seu perfil, visto da Baía de Todos os Santos, ao longo de mais de quatro séculos, é fascinante. Além disso, as contribuições de seu povo para a cultura brasileira são imensas, sendo destaque a cultura afro- descendente.
Um dos grandes problemas que ocorreu nessa rica história foi a colonização de exploração, que atrasou muito a cidade em termos industriais e de tecnologia, e também na falta de planejamento na cidade, transformando assim Salvador numa das cidades mais desordenadas do Brasil, já que aqui era apenas o quintal dos europeus portugueses para retirar matéria-prima e continuar seu devastador imperialismo.

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